Lenda
da Erva Mate


O Surgimento da erva pelo Deus Tupã
Conta a lenda que a árvore de onde se colhe a folha para
produzir a bebida amarga adorada por tantos gaúchos só
surgiu no mundo depois de um pedido muito especial feito a Tupã
o grande deus indígena.
Em algum lugar no meio das coxilhas vivia aquerenciada
uma tribo guarani cujo cacique tinha muita fama de valentia, bravura
e sabedoria. Era um exemplo para seus comandados. Todos os índios
queriam ser como ele, lutar como ele, caçar como ele, ter
o conhecimento de tudo o que ele sabia. Outro motivo de orgulho
para o cacique era a sua linda e formosa filha, Caá-Yari,
muito admirada pelos jovens guerreiros.
Mesmo com tantas razões para ser um homem
altivo e feliz, o chefe índio andava acabrunhado. Triste.
Uma tristeza vinda lá do fundo da alma. O cacique estava
se enveredando pelos caminhos da velhice e tinha medo de ficar sozinho.
Além disso, estava preocupado com sua sucessão.
Não tinha filho homem e precisou escolher para sucedê-lo
o mais valoroso entre os guerreiros da tribo. Justo o bravo pela
qual sua filha Caá-Yari estava apaixonada. Era um grande
problema a afligi-lo.Pela lei dos guaranis, a mulher do chefe da
tribo tinha de acompanhá-lo em quaisquer de suas viagens,
fossem caçadas, fossem batalhas, fossem missões de
paz ou a busca de novas terras.
Assim, se Caá-Yari casasse com o guerreiro
escolhido para se tornar o novo cacique, muitas vezes teria que
se ausentar da tribo. Com a filha longe, o velho chefe não
sabia se ia agüentar continuar vivendo. Caá-Yari conhecia
as apreensões do pai. E para não magoá-lo,
a bela índia amava seu adorado em segredo. A filha zelosa
sabia que, só com o pensamento de vê-la longe, o cacique
caía numa melancolia danada.
O desprendimento de Caá-Yari era percebido
pelo chefe indígena. Sua dor e angústia eram tantas
que decidiu procurar Tupã, o deus dos deuses, aquele que
costuma ordenar todas as coisas do mundo. O cacique tinha consciência
de que não poderia exigir a presença da filha ao seu
lado para sempre e pediu a Tupã que lhe escolhesse um companheiro
para as horas de solidão.Como forma de atender o pedido,
o grande cacique do Céu mostrou ao cacique da Terra uma árvore
grande, de folhas verdes. Dessa árvore o chefe índio
retiraria, secaria e torraria as folhas, fazendo com elas uma bebida
amarga e quente, mas deliciosa. Seria sua companhia para quando
ninguém estivesse junto a ele. Para preencher o vazio da
saudade. E assim foi criada a erva-mate.
Tupã também ensinou o cacique a partir
o porongo e a fazer um canudo de taquara. Junto com a erva, surgiram
a cuia e a bomba do chimarrão. Arraigando-se ao hábito
da nova companhia, o cacique pôde finalmente confirmar seu
sucessor como legítimo líder da tribo e, ao mesmo
tempo, abençoar a união dele com sua filha. Agora,
quando os dois jovens estivessem longe, o velho índio teria
sempre ao seu lado o antídoto para espantar a tristeza.
Por
ter sido a razão principal do surgimento da erva-mate, Caá-Yari
passou a ser a padroeira e protetora dessas árvores.Desde
então, a lenda foi sendo contada de geração
em geração. Uma história que passou a rechear
a prosa nas rodas de chimarrão.
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